ATENTADO AO MARCO CIVIL DA INTERNET

“Garantir a neutralidade da rede, segundo o MCI, significa garantir que todos os pacotes de dados sejam tratados com isonomia na rede, sem distinção por conteúdos, origem, destino, serviço, terminal ou aplicativo. Por esta regra, sob a qual a Internet e a Web foram criadas e se desenvolveram, os responsáveis pela transmissão, mudança e roteamento dos pacotes de dados – as empresas de telecomunicações – não podem bloquear, degradar, atrasar ou privilegiar determinados pacotes de dados em detrimentos de outros.” (INTERVOZES, 2018)

Refletindo sobre a citação acima, percebemos que assim como a liberdade, e espaço democrático, o marco civil da internet vem por garantir o direito a neutralidade em rede, entretanto, sob as novas formas de utilização da internet, realizadas através do uso de aparelho móveis, as empresas de conexão a internet, que captam o lucro de venda de “pacotes de internet” por possuírem a infraestrutura para tal, acabam por boicotá os parâmetros do marco civil da internet. Isso acontece, porque ao se definir o “tamanho do seu pacote de dados”, as mesmas acabam por agir diretamente sobre quais os tipos de conteúdos seus usuários podem acessar.

Em linha direta e objetiva: Perdemos direitos, e ainda pagamos por isso! Exatamente, você não leu errado. Apesar de o marco civil ser uma das leis mais avançadas do mundo, o sistema capitalista vigente, representado por políticas de interesse lucrativa, estão constantemente buscando formar de burlar suas diretrizes, e outros procuram implantar medidas de leis que objetivam quebrar os direitos garantidos na rede.

E aí vamos pensar juntos…se na atual conjuntura a internet é meio que mais possibilita a comunicação interativa potente, e assim contribui para diferentes construções e mobilizações políticas (falo aqui em política de maneira ampla, sem engessamento partidário), isso de maneira democrática, livre e neutra…significa que o seu controle é correspondente a: controle de comunicação, informação, conhecimento, e logo, PRODUÇÃO CRÍTICA ATIVA!

Pois é! O marco civil vem garantir direitos, e sua derrubada é um plano lucrativo para distintos setores políticos e econômicos. Esse assalto se intensifica ainda mais, com a falta de conhecimento em meio a grande parte da população, que em grande parte desconhece sobre a existência do MCI, e consequentemente seus objetivos, e parâmetros.

Assim, se faz necessário ações que permitam a população o acesso a esse conhecimento, para que assim possamos lutar pela garantia legislativa para internet no Brasil.

REFERÊNCIAS

INTERVOZES. Coletivo Brasil de comunicação social. Marco Civil da Internet. Violações ao direito de acesso universal previsto na lei. 2018

CELULAR EM SALA DE AULA? POLÊMICA EM CONSTRUÇÃO

Ter ou não ter, eis a questão! Permitir ou não, o uso de aparelho de celular em sala de aula. Será que o uso do aparelho em sala “coisifica” os estudantes, ou será que nós professores não estamos preparados para a utilização do mesmo na escola.

O uso dos aparelhos eletrônicos é algo que a cada dia vem se naturalizando na vida das pessoas, e isso é um acontecimento que não se pode censurar, tem em vista que cabe aos educadores compreender como acontece esse “novo” movimento social.

Assim como os demais aparelhos digitais, creio que o uso do celular é algo neutro, o qual a partir da intencionalidade de cada usuário pode tomar formatos positivamente produtivos, ou não. Nesse sentido, a questão não é o uso do aparelho em si, mas de que forma pode ser utilizado o mesmo.

Com os avanços tecnológicos o celular tornou-se um aparelho capaz de fotografar, filmar, gravar áudio, navegar na internet, acessar rádio e televisão, editar e acessar documentos, isto é, em mãos podemos ter uma acessibilidade enorme de informações, algumas de maneira instantânea, que quando bem orientadas podem produzir conhecimento crítico. Pontuando ainda a capacidade de instrumento pedagógico, ao se permitir construir junto aos alunos produções pedagógicos como vídeos, textos, etc.

Portanto, o que cabe não é a proibição de uso em sala imposta pelas escolas, mas a capacidade de ressignificar a utilização dos aparelhos na escola, através de uma formação contínua de professores, e revisão constante de planos pedagógicos de ensino, os quais teoricamente devem acompanhar os movimentos sociais que nos permeiam.

E, então…usar ou não usar??? rsrs…

RADIALIZANDO A EDUCAÇÃO

Me permitindo a criatividade, faço um convite a pensar na “radialização” na educação, não falo aqui de radicalização, apesar que em sentindo educativo os dois termos podem está diretamente ligados, ou melhor…sintonizados!

Podemos, talvez pensar no rádio como meio de comunicação menos atrativo, em meio as novas formar digitais de comunicação que se apresentaram nos últimos. E, de fato o rádio não proporciona uma interação de manipulação, como os espaços de debate em rede, entretanto, isso não o desabilita como espaço para informação, e principalmente comunicação interativa entre locuções e ouvintes.

A rádio pode ser uma atividade produtiva no universo escolar, capaz de levar não somente conteúdo de entretenimento, mas informações reais de acontecimentos concretos da comunidade escolar, que permitam estimular a condição reflexiva dos membros desse meios social, e posterior mobilização ativa destes em relação ao meio e sociedade em que vivem, de maneira individual e coletiva.

Quando organizada em contexto pedagógico, e construída coletivamente pelos atores escolares, a rádio pode propiciar comunicação à toda hora, bem como, auxiliar movimentos escolares como os “grêmios”, e extrapolando os muros da instituição pode servir de meio comunicativo entre escola – comunidade da região, e chegando a web tomar forma de ponte de comunicação com diferentes partes e coletivos no mundo.

É verdade que para todo esse desdobramento não basta apenas apontamentos de suas proposições, se faz necessário um projeto político pedagógico emancipador que se materialize através da ação de professores – estudantes – corpo adiministrativo escolar. Mas, reconhecer e identificar as potencialidades educativas através do rádio, é um passo para continuar a garantir o direito a comunicação democrática, e a possibilidade de poder experimentar novas estratégias educacionais.

MARCO CIVIL DA INTERNET

FONTE: Radio Cultural. Disponível em: https://www.radioculturafoz.com.br/2014/04/23/marco-civil-brasil-e-pioneiro-em-criacao-de-lei-para-neutralidade-da-internet/ Acesso em: 19 de maio de 2019

Ei você aí, sabe o que é Marco Civil da Internet? Não!? Eu também não fazia a ideia do que era, apesar de ser aquela navegadora assídua na rede, e adorar debates pelo meio digital. Se você é do mesmo time que eu, o qual não sabia nada a respeito, creio que podemos começar uma boa discussão sobre tal assunto, e se você é aquela pessoa do time em que já está inserido no contexto, não vista a camisa de equipe adversária, mas venha contribuir para que possa emergir um mais um tiquinho dessa cegueira sobre o assunto!

A Lei do Marco Civil da Internet no Brasil é “…considerada pioneira no mundo em princípio da neutralidade da rede e em estabelecer regras para preservar a privacidade dos usuários. A notícia da criação do Marco Civil foi noticiada pelo site da BBC Mundo e ganhou repercussão internacional.” (Rádio Cultural, 2014)

Esse trecho apresenta um pouco da dimensão sobre a necessidade de debate ao tema, entretanto, para início de conversa é importante lembrar que a origem da internet, vêm através de um ambiente aberto e livre, no intuito de emergir protocolos de maneira cooperativa através dos hacker’s. (Lembrando que é importante não confundir, hacker com cracker.)

De maneira simples e objetiva, o marco civil da internet tenta garantir os princípios criadores da internet. A lei é uma ação da política pública brasileira, que garante o acesso e distribuição de conteúdos de maneira livre, e amplamente democrática, o que torna possível a liberdade de expressão e o direito a comunicação.

Para garantir a boa gestão da internet no Brasil, inclusive a partir do Marco Civil, foi criado o Comitê Gestor da Internet – CGI, que é um órgão que faz a gestão da internet, e tenta garantir os direitos conquistados e funcionamento da mesma. Tal instituição organizadora, tem um perfil descentralizado e sem aporte de recursos do governo, modelo que consegue permitir as formas de luta política nesse âmbito.

Entrentato, apesar do trabalho ativo do CGI, e do reconhecimento avançado do Marco Civil da Internet, a lei sofre constantes atentados políticos, que prospectam o boicote aos seus princípios de uso, para benefício capitalista e de controle político. Afinal, a partir da censura de conteúdos, limita-se o direito de comunicação e informação de seus usuários, assim como a liberdade de expressão, fatores fundamentais de confronto político.

Por isso, o aprofundamento a respeito deste debate não é uma questão de pura aprofundamento informativo, mas de conhecimento produtivo que nos torna capazes de lutar por direitos de cidadania.

VAMOS FALAR DE INCLUSÃO DIGITAL?

De maneira clara e objetiva gostaria ao primeiro momento deixar claro que, inclusão digital está diretamente associado ao que chamamos de inclusão social. E isso se deve a um fator consistentemente simples…vivemos em uma sociedade digitalizada! Assim, uma análise comprometida tem que perceber os movimentos sociais em todas suas determinações, sem permitir a fragmentação dos fatos sociais, que podem levar a conclusões equivocadas.

Mas, para incluir basta permitir acesso as tecnologias? Aí está meu caro, a condição de incluir um indivíduo digitalmente, vai além daquilo que podemos chamar de uso de ferramentas, pois não basta eu saber utilizar um objeto ou entrar em um determinado espaço (digital ou analógico), é um ponto nevrálgico saber como funciona, e assim perceber as potencialidades de transformação, manipulação, risco que aquele cenário pode proporcionar.

Seguindo esse fio condutor é que talvez possamos perceber a articulação das políticas públicas na sociedade capitalista vigente. Afinal, ao capital se faz interessante a exclusão digital dos indivíduos sociais, afinal a grande massa trabalhadora alimenta todo um sistema, seja através dos bens de consumo,ou principalmente através da sua capacitação como mão de obra para trabalho.

Portanto, ao tratarmos do termo inclusão, temos que ter cuidado para não cair na premissa que seu antagônico semântico Exclusão apresenta, afinal não interessa ao sistema capitalista a marginalização, todavia, apropriação da realidade concreta através de uma consciência alienada é de suma importância. Nesse sentido, aquilo que parece ser exclusão digital, na verdade interpreto como “alienação digital”.

E, por conta disso é que devemos trabalhar em políticas públicas que proporcionem a ruptura do uso simples e instrumental das tecnologias digitais, sendo necessário uma caminhada a nível de consciência individual e coletiva estreitamente entrelaçado as formas digitalizadas de informação e comunicação contemporânea.

NAVEGANDO EM SOFTWARE LIVRE

E aqui vamos nós, navegar mais um pouco em conhecimento para entender melhor sobre software livre e suas estruturas. Como primeiro ponto é importante saber que o software livre consiste em uma produção aberta de construção do conhecimento, nele é possível ter centenas de desenvolvedores, que são capazes de “hackear” o software, produzindo novas versões com melhor desempenho.

Talvez, possamos nos atentar um pouco para a a palavra hacker, que em nada está ligada com a destruição de sistema de informação como tão bem enfatiza alguns meios midiáticos, o hacker está ligado diretamente ao que podemos chamar de cultura hacker, que nada mais é do que aqueles que buscam constantemente novos conhecimento, e a partir de novas sabedorias desenvolvem estratégias mais avançadas de programas.

E aí você pensa, e quem são aqueles que rastreiam senhas, destrói sistemas, dissemina vírus em rede? Essas pessoas podemos chamar de cracker’s, pois sua intencionalidade não é produção para progressão, mas invasão e destruição para benefício próprio. Logo, a maioria dos hacker’s tem instrisecamente uma produção em prol da coletividade, mesmo que isso não pareça prioridade a primeira vista.

E, porque falar de hacker ao tratar de software livre, porque é esse espírito hacker que permeia a construção de um software sem licença proprietária, onde o mesmo é aberto à todos, e permite a partição ativa de todos para sua produção.

Portanto, a adesão de software livre deve ser vista como uma questão política, e quando trato em política, falo além de questões partidárias, mas de situações sociais que desconfiguram uma situação de exclusão, e permite livre acesso a bens imateriais, nesse caso conhecimento, que é uma das maiores forças produtivas.

A comercialização de software proprietários está sobre uma rede de relações produtivas capitalistas, que aprisiona de maneira dependente aqueles que podem pagar pela sua utilização, e exclui violentamente aqueles que não podem ter acesso ao mesmo. Afinal, em nada adianta um hardware sem um software….e digo um software atualizado e em condições de uso.

Vejamos:

Para o acesso a esta página por exemplo, é necessário uma extensa relação de meios produtivos, dentre eles estão aqueles de ordem estrutural como antenas, hardware, em seguida temos a lógica de produção através do tipo de software que será utilizado, internet, e por fim temos os tipos de conteúdos que serão acessado.

Então, se pergunte agora de que forma você está acessando esse blog? De onde, como, através de que software, e porque procura este tipo de conteúdo? Possivelmente todas as respostas falarão muito sobre você, e também de que forma certas variáveis são manipuladas para que possa consumir determinado tipo de produto.

Afinal, se pergunte se você já ouviu falar sobre software livre, e se já ouviu sob que circunstância? Depois se questione, de que forma teve acesso a um computador, celular, e esses tiveram acesso à internet? E, como chegou até esse blog, porque este tipo de conteúdo? Creio que todas as resposta levaram no final um valor monetário.

Agora, inquiete mais um tiquinho…se você estivesse em uma cidade interiorana de Roraima será que teria as mesmas condições? Caso creia que não, acho que concordará comigo que a discussão sobre software livres, e consequentemente outras relações de mesma face (internet, hardware) deverá está ligado a políticas públicas. Políticas que permitam o acesso a produtos e conhecimentos tecnológicos de maneira amplamente social, sem regalias estratificadas.

Portanto, o que está posto não é apenas uma decisão sobre bom ou ruim, mas uma questão de enfretamento sob que tipo de mundo queremos construir, seja qual pensamento tenhamos, acredito que isso perpassa sobre que tipo de ser humano desejamos ser.

Agora pensemos na fábula do passarinho, que ao vê a floresta pegando fogo, e todos os animais fugindo em desespero, decide dar várias idas e vindas até o rio levando pequenas quantidade de água até o incêndio, e ao ser questionado pelo elefante que nada adiantaria fazer aquilo, ele responde:

-Se tudo der errado, eu terei a certeza que fiz o máximo que pude.

Moral da estória: Se couber a cada um, fazer uma pequena parte, por menor que seja, em meio a imensidão, aquilo que pode parecer improvável pode se transformar em real. Logo, se todos os animais da floresta tivessem atitude semelhante do passarinho, o fogo poderia ser apagado, e a floresta apesar dos danos ficaria salva, e todos permaneceriam em seu lar.

A produção coletiva e solidária pode ser uma alavanca de força em meio ao caos social!

QUEM É SOFTWARE?

Muita calma nessa hora! Não precisa se espantar com a pergunta acima, ou melhor é necessário se preocupar com o questionamento, é claro que peço a você companheiro inquietante que se direcione além da simples pergunta, afinal creio que você assim como eu talvez saiba que software não é simplesmente o nome de uma pessoa (apesar, que não tenho nada contra o registro de uma pessoa com esse nome). Mas, caso não saiba segue uma breve apresentação através Lévy (2018, p 41 e 42):

O software é um programa bastante organizado de instrumentações codificadas, que destina um ou mais processadores a fazerem uma mesma tarefa. Em meio aos seus circuitos, os software podem interpretar dados, agir sobre informações, transformar programas, eles fazem os computadores e redes funcionarem através de suas linguagens de programação, códigos especializados para escrever instruções para processadores de computadores. Considerando que para cada tarefa, existe uma linguagem de programação.

Em outras palavras, e de maneira resumida… o software é a alma do computador, sem ele o que nos sobra é a máquina seca e sem funcionalidade, apesar de todo aparato tecnológico. Entretanto, se me permite a audácia, gostaria de salientar que na verdade verdadeira o software é a “alma do negócio”! Exatamente!!!

Vamos pensar juntos, se o software é o todo o “centro nervoso” para o funcionamento de um computador, significa que ele é fundamental para nosso acesso a internet, ciberespaços, organização de tarefas, textos, assim como ele determina todo um controle de ações, logo, para que nós possamos ter acesso a essas funcionalidade precisamos adquiri-ló, e aí vem a pergunta chave: Como e por onde adquirimos esses programas???

Hummm…se ainda temos dúvidas, vamos clarear um pouco. Qual o sistema operacional desse computador ao qual você está acessando esse blog? Não, é pelo computador seu acesso, é pelo celular? Então, qual o responsável primário pelo seu acesso, o sistema operacional do seu aparelho móvel? Bem, na maioria das vezes sua resposta pode ser o nome de uma grande empresa, e assim continuo as perguntas… Esse sistema foi pago ou gratuito? E vale uma explicação, quando falo de gratuidade não me refiro a primeira instalação, refiro-me de maneira ampla as atualizações, proteções e todos os ÕES posteriores para funcionamento pleno do sistema.

EURECA! Significa que os software tem nome, endereço e preço. Então, não é meramente o que é o software, mas “quem é o software”. Tendo em vista, que vivemos em uma movimento de evolução tecnológica, a discussão sobre os programas de linguagem dos nossos computadores é de interesse político, econômico, histórico e social.

E então, devemos nos perguntar sobre a possibilidade de embate a esse forçado controle. E o que temos, é o diálogo sobre software livre.

“Software livre é o software que apresenta como principal propriedade a liberação do seu código fonte, e não apenas a comercialização da licença de uso do código objeto, propriedade fundamental do software proprietário. Uma vez público o sistema que explica todas as rotinas de processamento do software livre, é possível estudar, modificar, aperfeiçoar e socializar novamente o mesmo, num processo ininterrupto, e com a participação de todos aqueles que tiverem interesse no foco de atuação desse software.” (BONILLA, 2012, p. 2)

Então, o verbo que predomina no contexto do software livre é o libertar, enquanto, nos demais a casadinha é vender e comprar. Tais, palavras demonstram ação, porém com intencionalidades diferenciadas, principalmente quando tentamos contextualizá-la no cenário educacional.

Os apontamentos aqui não tem por objetivo a doutrinação de ninguém, afinal creio na relação produtiva do debate, e o despertar crítico através do confronto de pensamentos. Por isso, abro amplamente uma possibilidade de discussão capaz de nos fazer pensar sobre a maré alienante a qual somos cegamente levados a seguir.

Trago isso, porque mesmo acreditando em uma educação emancipadora, a qual tem como premissa um projeto político-pedagógico para além do capital, admito que estava em completa escuridão sobre a relação do processo educação e tecnologias contemporâneas, pelo menos no que se trata em uma perspectiva democrática e engajada coletivamente. E tratar sobre este debate dos software, me trouxe um início de uma lucidez inquietante, “dolorida” à respeito desse assunto, mas que vejo ao mesmo tempo saborosamente como necessária, e desafiadora.

E o que desejo apresentar com este relato pessoal? É que a maioria de nós educadores, está caminhando a passos distantes desta nova perspectiva de educação emancipatória. E me tomando como exemplo, não creio que seja apenas por falta de engajamento, mas por fragilidade na formação de professores, que apresenta desde a dificuldade de operar sistemas livres, até a compreensão das políticas-econômicas que rodeiam essa forma de conhecimento.

Se tivermos maiores ações formativas que possibilitem o acesso ao conhecimento dos professores, surgirá um movimento direto perante aos estudantes, em especial de instituições públicas, e assim uma reação em cadeia de ordem social. Afinal, conhecimento é força produtiva que deve ser garantida, e não ocultamente controlada.

Creio que não é um processo fácil e simples, porém se não tiver as primeiras aproximações em nada se modificará. Tomando os estudos de Marx e Engels, acredito que o “software nominalmente pagos” expressam um nova forma de produção de mais-valia em meio ao processo histórico, porém de maneira mais alienante e violenta. Afinal, sua face esteticamente agradável e digital, é capaz de ludibriar até mesmo pessoas socialmente engajadas.

REFERÊNCIAS

BONILLA, Maria Helena. Software livre e formação de professores: para além da dimensão técnica. In: FANTIN, Monica; RIVOLTELLA, Pier Cesare (orgs.). Cultura Digital e escola: pesquisa e formação de professores. Campinas, SP: Papirus, 2012

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 2018.

O SEGUNDO DILÚVIO

“A World Wide Web é um fluxo. Suas inúmeras fontes, suas turbulências, sua irresistível ascensão oferecem uma surpreendente imagem da inundação de informação contemporânea. Cada reserva de memória, cada grupo, cada indivíduo, cada objeto pode tornar-se emissor e contribuir para enchente.” (LÉVY, 2018)

O ciberespaço nos apresenta a inúmera possibilidade de pontos, contrapontos e cruzamentos, que se alimentam de um fluxo veloz de conhecimentos distintos, que ampliam funções cognitivas, intelectuais e de aprendizagem dos diferentes indivíduos que os constroem. Assim, observamos ao mesmo tempo que somos todos protagonistas, uma nova relação com o saber.

Não se pode negar a mutação contemporânea do saber, e quando falo em ensino não estou apenas restringindo conhecimento científico de cunho escolar, mas ao acesso e compartilhamento de conhecimento entre diferentes pessoas com distintos interesses, pontos de vista e realidades, transformando a relação espaço-tempo, bem como, colocando a coletividade humana como “epicentro” social novamente.

Por isso, como diz Lévy (2018) “As redes sociais interativas são fatores potentes de personalização ou de reencarnação do conhecimento.”, entre os seus hipertextos podemos encontrar complexas redes de relações capazes de desenvolvimento simultaneamente individual e coletivo.

E então onde navega a escola nesse novo movimento do conhecimento, onde a conectividade pode ressignificar o ensino? Nesse exato momento creio está ainda tentando se livrar da âncora que a deixa estática. Portanto, ao primeiro passo o necessário é compreender que o saber não se prende somente as condições físicas, mas que o ciberespaço apresenta novas possibilidades de potencializar a educação. E, isso requer formação de professores, e perspectivas abertas para os estudantes.

Assim, que apresentemos milhares de barcos para os nossos estudantes, para que coletivamente possamos navegar em meio a esse dilúvio, que pode a primeira vista parecer turbulento e caótico, mas que sempre nos empurra para frente rumo a novos horizontes.

REFERÊNCIA

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 3ª ed, 2018. Cap X.

IMAGEM E AÇÃO: JOGO DA INTERPRETAÇÃO!

FONTE: Arquivo Pessoal – Registro do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2018)
FONTE: Revista Veja. Disponível em:
https://veja.abril.com.br/economia/ibge-52-milhoes-de-brasileiros-estao-abaixo-da-linha-da-pobreza/ Acesso em: 07 de abril de 2019
Fonte: Revista Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/estratificacao-desigualdade-social.htm Acesso em: 07 de abril de 2019.

Pare!!! E, pense no que acabou de observar. Calma, não olhe apenas a imagem, mas veja através das imagens, lendo seus detalhes e interpretando suas informações.

Não existe texto, mas apesar disso há muita coisa “dita”, bem como, uma explicitação de emoções diante da leitura crítica das conexões entre as imagens. O primeiro registro é uma pintura em tela do artista Cândido Portinari, Criança Morta de 1944; A segunda imagem é um registro fotográfico feito por Cristiano Mariz em 2017; Por último, uma imagem digital encontrada em uma revista digital.

Nos três momentos temos a possibilidade de encarar fatos sociais presentes no sistema vigente, entretanto, creio que cada uma das imagens nos causam emoções diferentes, e possibilidades interpretativas distintas. O que desejo dizer com isso!?

Vejamos, o homem durante todo o seu processo histórico trouxe nas imagens sua representação do seu cotidiano, práticas, culturas, para que assim fosse deixado o registro da sua história para gerações futuras, que por fim marcariam na sua memória os grandes acontecimentos humanos, para subsequente propagação de conhecimento. E, isso pode ser encontrado desde os desenhos rupestres até os registros fotográficos digitais.

Porém, com o desenvolvimento social, cognitivo, intelectual e tecnológico dos seres humanos, as formas de captação e registro de imagens foi se inovando e reinventando. Ao perceber a obra de Portinari vemos a crítica social da época através da pintura do artista, que está repleta de emoção, informação, mas que não traz a realidade claramente objetiva, enquanto, na fotografia de Mariz temos a representação da realidade de maneira objetiva, é claro que ela assim como a pintura está recheada da intencionalidade do “autor”, mas está apresenta de maneira mais límpida a desigualdade, pobreza, miséria de grande parte da nossa população. E o que dizer da última imagem?

Aí está a grande virada, a imagem digital com sua capacidade de manipulação, não oferece a representatividade e realidade encontrada nos registros anteriores, porque tal formulação não pode ser vista no nosso ambiente cotidiano, entretanto, a mesma dispõe da capacidade de simulação, pois ao vê a imagem podemos planejar, criar possibilidades variáveis distintas de leitura, e interpretação.

A mudança das imagens do analógico para o digital não anula, ou sobrepõe qualquer um dos dois, pois apesar do avanço humano e ferramentas tecnológicas cada imagem, possui sua importância e função social. Devemos todavia, nos alertar para a capacidade manipulativa das imagens digitais, que em algumas circunstâncias pode ter o bálsamo criativo, mas em outras pode carregar sua potência deturpadora da realidade. Por isso, ao se deparar com uma imagem não podemos simplesmente vê-la, mas temos que olhar através e por ela, pois informações por imagens são mais ludibriantes do que a palavra escrita ou falada.

Agora, depois de toda essa discussão, podemos voltar com mais tranquilidade as imagens para melhor leitura, e assim aqui…agora…debater sobre nossas perspectiva da “imagem em ação”.

CIBER – CULTURA

Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje

Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé

Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastece

O trecho da música de Gilberto Gil acima, é uma introdução do que venho me inquietar hoje, falo sobre inquietação, porque entendo que no meu processo de aprendizagem sou estimulada constantemente a sair da minha zona de conforto através do ato de pensar criticamente, e assim na minha condição inquietante fazendo novas conexões. E nesse sentido, acabo por trazer até aqui essas novas conexões.

O que pensar ao falar em cibercultura? Para melhor entendimento, vamos ao radical dos termos, assim, Ciber está ligado a cibernético que segundo o dicionário de português é
“Ciência que estuda os mecanismos de comunicação e de controle nas máquinas e nos seres vivos. “, enquanto cultura pode ser compreendida como um conjunto de crenças, regras, experiências, construídas por um determinado sistema social, que a partir de suas metamorfoses ao longo da história, acabam por dar sentido particular a determinados signos, os quais assumem de certa forma a identidade do grupo social, o qual o construiu.

Deste ponto, podemos entender a cibercultura como um movimento social a partir das comunicações via internet e recursos digitais, que geram experiências, costumes, signos, e assim agem diretamente na história. As definições dos termos são importantes, porém as mesmas são restritas, sem compreensão do movimento da cibercultura.

A cibercultura é possível através dos ciberespeços, que a partir Lévy (1999) “…é um espaço de encontro, compartilhamento e invenção coletiva. Sendo a internet o grande oceano do planeta informacional…” O ciberespaço é um espaço de construção coletiva , onde existe interesses em comum , os quais são produzidos em redes de pessoas conectadas, mas que podem tomar forma no real físico.

E NESSE MOMENTO, VALE UM “PEQUENO GRANDE DETALHE”, quando falo real físico é porque não quero confundir com o real digital, pois independente do âmbito analógico ou digital, as produções são essencialmente autorais, frutos de produção de um ser social.

É importante lembrar ainda, que a utilização do termo virtual não cabe em tal discussão, tendo em vista que a virtualidade , é algo propício a manipulação, seja no campo físico ou digitalizado, assim chamar pelo virtual para debate sobre o digital pode se tornar incoerente.

…VOLTANDO AO CIBERESPAÇOS…

…os mesmos são constituídos por três princípios: 1. Interconexão, que possibilita a conexão de todos; 2. Comunidades virtuais, que organiza a concentração dos indivíduos em prol de um mesmo interesse; 3. Inteligência coletiva, que fortalece o coletivo a partir de conhecimentos distintos.

Vejamos então, que o acesso ao conhecimento se faz de maneira ampliada, gerando um intensa rede de construção de pensamento em cada indivíduo. Por isso, vamos mais a fundo, a democracia digital é questão de política pública, que deve ser melhor discutida e garantida.

Voltando a música de Gilberto Gil, que todos nós possamos construir um barco para velejar nesse informar, e assim aproveitar a informaré para “nos abastecer e abastecer” de conhecimento.

REFERÊNCIA

DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS. Disponível em: https://www.dicio.com.br/cibernetica/ Acesso em: 31 de março de 2019

LARAIA, R. B. Cultura: um conceito antropológico. 14ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999. Cap VII (p. 123)

Eu blog, tu blog e nós blogamos!

Já pararam para pensar na complexidade dos blog? Não? Eu também, não havia me debruçado nas suas possibilidade de ação, e ressignificação.

O intrigante é que podemos notar os blogs com presença frequente em nossas vidas, afinal creio que a maioria das pessoas com acesso à internet, tenha em algum momento acessado pelo menos um blog ao navegar na rede. Porém, como na maioria das vezes deixamos a maré nos arrastar, e não paramos para refletir sobre os processos que nos permeiam.

Hoje ouvimos as pessoas falarem em blogueirinhos(as), e isso sooa como algo tão raso, e assim somos induzidos às vezes a pensar nos blog como mera ferramenta de informação, e exposição. Mas, sua funcionalidade vai além disso.

Vamos lá! Primeiro, os blogs não tem temas engessados, eles são construídos de acordo com a necessidade de cada sujeito, e/ou grupo, assim existem variados objetos de discussão; Segundo, os blogs possibilitam um movimento de rede, que é interligado a partir das afinidades dos temas, assim o meu blog pode ser fortalecido por outros blogs, criando aquilo que pode ser chamado de “blogosfera”; Terceiro (para mim o mais fantástico) ele permite uma construção dinâmica, coletiva com novas expressões de linguagem.

Aí você se pergunta, “…construção dinâmica, coletiva com novas expressões de linguagem!?” Como assim? Tomando como exemplo a leitura de livro, acho que conseguirei explicar. Quando você lê um livro, você simplesmente o consome, não consegue dialogar, argumentar com o autor, e mesmo que consiga estratégias para isso, essa ação se torna lenta, e sem maiores acréscimos para uma mudança material, afinal o autor não poderá reescrever ou editar o livro. E pensando ainda em toda a linguagem formal destes, muitas pessoas sentem-se inibidas em iniciar um debate a respeito do mesmo.

Agora pensando nos blogs, temos a possibilidade de construir em conjunto, pois existe a condição de debate crítico e dinâmico, onde eu exponho o que penso, e alguém pode também contribuir com suas perspectivas, e assim compartilhar conhecimento e construi uma nova proposição. Assim, “as definições tornam-se provisórias”, e a palavra escrita pode ser descontextualizada de uma lógica formal, possibilitando à todos o acesso ao debate. Ao se permitir dividir informações, opiniões no blog, você expande um olhar que é naturalmente egoísta, para algo compartilhado, e sujeito às críticas. Entendendo, que são nas críticas que encontramos degraus para o crescimento, e transformação.

Quero ressaltar que não estou estigmatizando os livros, aliás sou uma apaixonada pelos mesmos, adoro o cheiro do papel e a possibilidade de rabiscar a punho. Entretanto, creio que devemos reconhecer as possibilidades, e contrariedades de cada movimento que nos cerca. E, isso não é uma tarefa fácil, tendo em vista que somos influenciados a uma série de pré-conceitos.

Deixo aqui um trecho do texto que discutimos essa semana na aula Educação e Tecnologias Contemporâneas, que particularmente senti muita sintonia.

“Refletir sobre a prática em blogs significa, mais do que pensar isoladamente, exteriorizar pensamentos, formular idéias, discutir, contrapor, estar aberto a críticas e buscar outras formas de atuar na prática. Significa expor seu pensamento e se expor, significa dar voz ao outro, ouvir críticas, e quem sabe, mudar e lutar pela mudança do instituído. Significa, além teorizar e consumir informação, produzir conhecimento contextualizado, atuar em contexto, sair deusa postura passiva para atuar plenamente na sua formação e em todo o contexto que envolve professores e os processos educacionais.” (HALMANN;BONILLA, 2009)

Em outras palavras o blog é um ambiente democrático, e assim podemos aqui e agora debater.

Referência: HALMANN, Adriane; BONILLA, Maria Helena. Reflexão entre Professores em Blogs: passos para novas educações. Revista Tecnologias na Educação. Ano 1, n. 1, dez 2009.

O PODER DAS MÍDIAS SOCIAIS

Homenagens às vítimas do tiroteio na escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo.FONTE: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/dois-alunos-da-escola-raul-brasil-em-suzano-recebem-alta-do-hospitaL. Acesso: 17 de março de 2019


O que realmente as imagens das mídias querem dizer? E as palavras o que desejam expressar? E seus vídeos o que desejam mostrar? A imagem acima pode expressar muito além do que a aparência midiática da tragédia desta semana em Suzano, pois analisada de maneira cuidadosa ela pode nos trazer as várias circunstância da conjuntura do nosso país.

Recebemos diariamente um bombardeio de informações via internet, tv, e muitas vezes se quer paramos para refletir sobre os diversos discursos que desejam nos empurram goela abaixo, e assim acabamos por naturalizar expressões, pensamentos que induzem a uma servidão voluntário e passiva de um sistema vigente violento.

Durante as reportagens de cobertura sobre a tragédia de Suzano, o que observei foi a demasiada audiência do sensacionalismo na TV, e a falta de sensibilidade, respeito e banalização do sofrimento dos familiares de TODAS as vítimas nas redes sociais, com a divulgação das imagens do “Evento trágico”.

Aos dias que se seguiram o que observamos foi a divulgação de causas aparentes, sem ao menos alguém analisar a essência dos fatos. De longe concordo com a situação bárbara que ocorreu em Suzano, mas creio que todos ali, assim como nós…foram/são vítimas, em diferentes graus, de um sistema capitalista opressor ao qual potencializa a diferença de classe, gênero, raça, e que nos oferta tão facilmente discursos indultores de comportamento nas redes sociais, jogos eletrônicos, bem como,nas instituições sociais.

E o mais inquietante é que nesses casos, o que presenciamos é a culpa somente e exclusivamente do indivíduo, como se todas as outras determinações fossem esquecidas ou brevemente deletadas.

Então, pensemos quais as condições de informações que recebemos cotidianamente,e o que realmente as palavras e imagens querem nos dizer? Pensemos, analisamos, porque mais difícil do que remar contra a maré, é se permitir seguir o fluxo sem qualquer ação própria.

MEMES!?

E, ao entrar nas páginas da redes sociais, temos os Memes, como um dos grandes protagonistas de pensamento crítico e cômico. Engraçado? Sim! É claro, que cada um com sua dose de humor, e crítica, mas sempre sobre um cenário reflexivo.

Particularmente, admito que não tinha dado muita importância aos Memes, mas após a minha última aula de Tecnologia e Educação, na qual foi melhor explicado seu possível cunho didaticamente reflexivo, passei a olhar com mais atenção e até mesmo carinho…rs!

Fazendo um simples comparativo pessoal…Imaginemos há algum tempo, podíamos encontrar em alguns quadrinhos, charges conteúdos reflexivos políticos, sociais, econômicos, que eram produzidos apenas por material impresso, e logo eram determinados pelas condições financeiras, profissionais específicas,tendo um poder de divulgação limitado. Hoje podem ser criados por diferentes pessoas, mensagens semelhantes (imagens e textos) de maneira divertida e reflexiva,por pessoas com diversas aptidões, em distintos lugares, os quais podem ser amplamente divulgados.

Isso é fantástico!

Ainda sobre a aula fui influenciada a criar um próprio Meme,afinal não existe teoria sem prática, por isso deixo-o aqui para compartilhar!

TECNOLOGIA DIGITAL E PRODUÇÃO CULTURAL, EIS A QUESTÃO!

Ao falar sobre tecnologia digital o que lhe vem ao pensamento??? E se perguntar o que vem a sua cabeça, quando misturo educação e tecnologia para produção cultural???

Bem, para mim vinha imediatamente a condição de pensar a tecnologia, através de instrumentos capazes de potencializar a educação, algo que objetivamente me parecia tão “óbvio”. Entretanto, durante a minha primeira aula de Educação e Tecnologias Contemporâneas, fui estimulada a questionar o “óbvio”, através da perspectiva que me leva a compreender os desdobramentos tecnológicos como novos ambientes de produção cultural.

Como tudo que é novo, esse novo olhar precisou/precisa de novas aproximações, mas para você que pode está agora se questionando sobre essa nova interpretação, que nem eu…pensemos juntos nesse exemplo: Os jogos eletrônicos, podem parecer meros instrumentos para divertimento, todavia segundo Vaghettie e Botelho (2010, p. 82 e 83) “A fantasia dos games está relacionada com os aspectos de desafio, nível de habilidade exigida, interação e imersão. O desafio diz respeito ao enredo do game, aos objetivos e metas do usuário: resgatar a princesa, fazer mais pontos, vencer outro adversário ou o computador. O nível de habilidade exigido está relacionado à velocidade de execução dos movimentos dos dados de entrada e aos aspectos cognitivos, como por exemplo, a movimentação do joystick e o tempo de reação do usuário em relação à exigência do game. A interação se relaciona com a capacidade do usuário de interagir com o game, saber jogar, utilizar as táticas necessárias e saber utilizar as ferramentas oferecidas, usabilidade, enquanto a imersão é a capacidade do game de levar o usuário para o mundo virtual. “

Nesse sentido, se enquadrarmos os games como ferramenta tecnológica lúdica, talvez possamos perder a oportunidade de acompanhar toda a sua capacidade de desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo, intelectual, social. Se pararmos ainda para perceber, que o processo de interação e imersão dos jogadores de games, ainda proporcionam seus usuários o conhecimento de outras línguas, e até mesmo a relação com pessoas em diferentes lugares do mundo, podemos assim avaliar que tal situação talvez não fosse possível há 15 anos atrás, quando o acesso a internet e aos jogos eletrônicos não era tão popularizado e sofisticado.

Este contexto me faz crer que a função instrumental dos aparatos tecnológicos não deve ser anulada, entretanto, a mesma pode ser dilata através de uma nova compreensão sobre seu significado como produção histórico-cultural.

Creio que para uma primeira aproximação, já foi possível ressignificar minha interpretação sobre “o que é óbvio”. E você, o que me diz?

VAGHETTIE, C. A. O.; BOTELHO, S. S. C. Ambientes virtuais de aprendizagem na educação física: uma revisão sobre a utilização de Exergame. Revista Ciências & Cognição; Ano Abr/ 2010,  Vol 15, p.  76 – 88.

O QUE SERÁ?

Informação,interpretação,opinião,debater…fazem parte da construção do pensamento crítico,que diante da conjuntura atual nos permite ter um olhar reflexivo sobre as múltiplas determinações que nos permeiam. E, em meio a um processo social onde o digital já pode ser visto além de uma “onda”, ressignificar suas relações com a educação, nos permite perceber as possibilidade de agir sobre o real concreto, desapropriando a força fake news atual que nos domina.

Aqui então se pretende uma construção coletiva onde os diferentes não se anulam, mas pelo contrário, se completam através de debates de peito aberto, a partir do tema: Educação e Tecnologias Contemporâneas.

Sejam bem-vindos, e que juntos possamos nos fortalecer!