Muita calma nessa hora! Não precisa se espantar com a pergunta acima, ou melhor é necessário se preocupar com o questionamento, é claro que peço a você companheiro inquietante que se direcione além da simples pergunta, afinal creio que você assim como eu talvez saiba que software não é simplesmente o nome de uma pessoa (apesar, que não tenho nada contra o registro de uma pessoa com esse nome). Mas, caso não saiba segue uma breve apresentação através Lévy (2018, p 41 e 42):
O software é um programa bastante organizado de instrumentações codificadas, que destina um ou mais processadores a fazerem uma mesma tarefa. Em meio aos seus circuitos, os software podem interpretar dados, agir sobre informações, transformar programas, eles fazem os computadores e redes funcionarem através de suas linguagens de programação, códigos especializados para escrever instruções para processadores de computadores. Considerando que para cada tarefa, existe uma linguagem de programação.
Em outras palavras, e de maneira resumida… o software é a alma do computador, sem ele o que nos sobra é a máquina seca e sem funcionalidade, apesar de todo aparato tecnológico. Entretanto, se me permite a audácia, gostaria de salientar que na verdade verdadeira o software é a “alma do negócio”! Exatamente!!!
Vamos pensar juntos, se o software é o todo o “centro nervoso” para o funcionamento de um computador, significa que ele é fundamental para nosso acesso a internet, ciberespaços, organização de tarefas, textos, assim como ele determina todo um controle de ações, logo, para que nós possamos ter acesso a essas funcionalidade precisamos adquiri-ló, e aí vem a pergunta chave: Como e por onde adquirimos esses programas???
Hummm…se ainda temos dúvidas, vamos clarear um pouco. Qual o sistema operacional desse computador ao qual você está acessando esse blog? Não, é pelo computador seu acesso, é pelo celular? Então, qual o responsável primário pelo seu acesso, o sistema operacional do seu aparelho móvel? Bem, na maioria das vezes sua resposta pode ser o nome de uma grande empresa, e assim continuo as perguntas… Esse sistema foi pago ou gratuito? E vale uma explicação, quando falo de gratuidade não me refiro a primeira instalação, refiro-me de maneira ampla as atualizações, proteções e todos os ÕES posteriores para funcionamento pleno do sistema.
EURECA! Significa que os software tem nome, endereço e preço. Então, não é meramente o que é o software, mas “quem é o software”. Tendo em vista, que vivemos em uma movimento de evolução tecnológica, a discussão sobre os programas de linguagem dos nossos computadores é de interesse político, econômico, histórico e social.
E então, devemos nos perguntar sobre a possibilidade de embate a esse forçado controle. E o que temos, é o diálogo sobre software livre.
“Software livre é o software que apresenta como principal propriedade a liberação do seu código fonte, e não apenas a comercialização da licença de uso do código objeto, propriedade fundamental do software proprietário. Uma vez público o sistema que explica todas as rotinas de processamento do software livre, é possível estudar, modificar, aperfeiçoar e socializar novamente o mesmo, num processo ininterrupto, e com a participação de todos aqueles que tiverem interesse no foco de atuação desse software.” (BONILLA, 2012, p. 2)
Então, o verbo que predomina no contexto do software livre é o libertar, enquanto, nos demais a casadinha é vender e comprar. Tais, palavras demonstram ação, porém com intencionalidades diferenciadas, principalmente quando tentamos contextualizá-la no cenário educacional.
Os apontamentos aqui não tem por objetivo a doutrinação de ninguém, afinal creio na relação produtiva do debate, e o despertar crítico através do confronto de pensamentos. Por isso, abro amplamente uma possibilidade de discussão capaz de nos fazer pensar sobre a maré alienante a qual somos cegamente levados a seguir.
Trago isso, porque mesmo acreditando em uma educação emancipadora, a qual tem como premissa um projeto político-pedagógico para além do capital, admito que estava em completa escuridão sobre a relação do processo educação e tecnologias contemporâneas, pelo menos no que se trata em uma perspectiva democrática e engajada coletivamente. E tratar sobre este debate dos software, me trouxe um início de uma lucidez inquietante, “dolorida” à respeito desse assunto, mas que vejo ao mesmo tempo saborosamente como necessária, e desafiadora.
E o que desejo apresentar com este relato pessoal? É que a maioria de nós educadores, está caminhando a passos distantes desta nova perspectiva de educação emancipatória. E me tomando como exemplo, não creio que seja apenas por falta de engajamento, mas por fragilidade na formação de professores, que apresenta desde a dificuldade de operar sistemas livres, até a compreensão das políticas-econômicas que rodeiam essa forma de conhecimento.
Se tivermos maiores ações formativas que possibilitem o acesso ao conhecimento dos professores, surgirá um movimento direto perante aos estudantes, em especial de instituições públicas, e assim uma reação em cadeia de ordem social. Afinal, conhecimento é força produtiva que deve ser garantida, e não ocultamente controlada.
Creio que não é um processo fácil e simples, porém se não tiver as primeiras aproximações em nada se modificará. Tomando os estudos de Marx e Engels, acredito que o “software nominalmente pagos” expressam um nova forma de produção de mais-valia em meio ao processo histórico, porém de maneira mais alienante e violenta. Afinal, sua face esteticamente agradável e digital, é capaz de ludibriar até mesmo pessoas socialmente engajadas.
REFERÊNCIAS
BONILLA, Maria Helena. Software livre e formação de professores: para além da dimensão técnica. In: FANTIN, Monica; RIVOLTELLA, Pier Cesare (orgs.). Cultura Digital e escola: pesquisa e formação de professores. Campinas, SP: Papirus, 2012
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 2018.